Pequeno
Novo capítulo São Paulo x Corinthians
O primeiro filme da trilogia que a Fox Filmes produz sobre os títulos corintianos de 1977, o tetracampeonato brasileiro (1990/98/99/2005) e o Mundial da Fifa de 2000, está em fase final. O do fim do jejum estadual. A filmagem do gol de Basílio, no entanto, está sendo realizada no campo do Juventus, na rua Javari. Porque o São Paulo não cedeu o Morumbi, onde o gol aconteceu. Mesquinharia pura que desmente a propalada intenção da direção tricolor em voltar as boas com a alvinegra. Se tinha razão no primeiro episódio da limitação de ingressos para o clássico pelo Paulistinha, agora não tem nenhuma. http://blogdojuca.blog.uol.com.br/
Escrito por Marcello Orsi às 22h48
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Fenômeno em preto e branco
JOSÉ GERALDO COUTO
Fenômeno em preto e branco
A chegada de Ronaldo deixa o corintiano dividido entre o desejo de ser feliz e o medo da desilusão
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RONALDO, A esfinge, nos desafia com mais um enigma. Entre tantas possibilidades (Flamengo, Manchester City, Estados Unidos, Japão, países árabes, aposentadoria), por que cargas d'água foi parar no Parque São Jorge? Sim, há uma engenhosa e ousada operação de marketing, há o dinheiro ainda virtual que viria de potenciais patrocinadores. Não sou versado em economia. A lógica das finanças me escapa, mas pode ser que dê certo. A outra explicação aventada "Ronaldo quer disputar a Copa de 2010" é nada menos que pífia. Por que ele teria, no Corinthians, mais chance de voltar à forma e ser convocado do que no Manchester City ou no Flamengo? É quase o mesmo que dizer que Robinho, com o mesmo objetivo, deveria então voltar ao Santos. Mas talvez eu, como corintiano escaldado, esteja simplesmente levantando uma série de objeções para me precaver dessa coisa terrível que é a esperança. ("Peso mais pesado/não existe não", já dizia Manuel Bandeira sobre essa palavra tão usada e abusada). Passagens melancólicas de grandes craques em declínio (como Garrincha e Edu) pelo clube deixaram os corintianos mais velhos um tanto ressabiados, com medo de ser felizes. Os mais jovens, pelo visto, não estão nem aí e embarcam alegremente no refrão "mais um louco num bando de loucos". Meu Deus, como eu os invejo. A coisa mais difícil que existe no mundo, tão difícil quanto ganhar na Mega-Sena ou descobrir a idade da Hebe Camargo, é conciliar o "otimismo da vontade e o pessimismo da razão", como queria o grande pensador comunista Antonio Gramsci. Ou caímos para um lado ou para o outro, ora mimetizando o leão animado Lippy, ora a hiena ranzinza Hardy ("Eu disse que não ia dar certo"). O certo é que, num mundo em que, como bem notou Juca Kfouri, o marketing passou a ser um fim em si, a cartolagem corintiana conseguiu um grande triunfo, criando o fato que ofuscou neste fim de ano todos os outros do mundo esportivo. Desse ponto de vista, pouco importa se Ronaldo vai fazer gols e até mesmo disputar um jogo inteiro pelo Corinthians. Se entrar em campo para dar o pontapé inicial, rodeado de crianças e paramentado com um sem-número de logomarcas, a iniciativa já terá valido a pena, rendendo frutos econômicos e políticos. Para nós, que gostamos de bom futebol e bola na rede, permanece a interrogação: seremos felizes em 2009? Ou, parafraseando o verso de Drummond, neste país (o Corinthians) é proibido sonhar? Tento pôr de lado a rabugice e me deixar embriagar um pouco pela euforia alvinegra reinante. Para isso recorro a um trecho de um belo livro, "O Filho Eterno", de Cristovão Tezza, que ganhou todos os prêmios literários do ano: "Talvez, o pai sonha, confuso, os milhões de pessoas que superlotam os estádios estejam em busca exatamente desse breve encantamento: do simples futuro, do poder de flagrar o tempo, esse vento, no momento mesmo em que ele se transforma em algo novo, numa sensação que a vida cotidiana é incapaz de dar". Vamos deixar abertas as portas do futuro.
jgcouto@uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 11h56
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O Som barato voltou. Que bom !!!
Estamos de Volta!
Uma idéia nunca morre. Derrubam um blog, derrubam um link, derrubam casas, mas a idéia continua lá. E o Som Barato voltou,e voltou porque ele é uma idéia. Uma idéia de partilha, uma idéia de que os bens podem ser comuns, uma idéia de uma festa permanente embalada pela diversidade de sons que a natureza humana é capaz de produzir mas que a indú$tria insiste em abafar com suas técnicas monopolistas.
E o melhor de tudo é que idéias quando são atacadas tendem a se aperfeiçoar em suas lutas. E aqui estamos, três meses depois, agora em p2p. Pessoa pra Pessoa. Ponto para Ponto. E não há G$ogle, Bi$coito Fino ou Grosso que nos derrube. Porque a idéia se espalhará pelos discos rígidos de todos nós.
Participe, seja um semeador de música e de idéias!
Domingo, 21 de Setembro de 2008
Neste mês de setembro de 2008 foi fechado o blog Som Barato que disponibilizava músicas para download gratuitamente. Responsável por um dos maiores e mais respeitados trabalhos de resgate, divulgação e preservação da música brasileira. Oportunidade para pesar nossas manifestações culturais em face de poderes absolutos de particulares. Não é acabar com gravadoras. Mas e quanto a acabar com trabalhos como o do Som Barato? Uma atitude unilateral, arbitrária, autoritária e INCONSTITUCIONAL! Ninguém do blog foi ouvido!
Uma atitude dessas está longe de compreender a real conjuntura em que está a distribuição gratuita de música pela internet. De onde vem esse poder? Eu digo que como hoje é posto em debate, deixou de ser inquestionável. Mais de 2.000 discos disponíveis! Mais de 1 milhão de downloads! Visitado por pesquisadores, músicos (uns que até proíbem suas músicas na internet!!!), estudiosos, saudosistas desamparados, professores, donas de casa, policias, malabaristas, donos de gravadoras em busca de idéias, padres, padeiros, putas, ciclistas, bichas, punks, pobres, milionários, seres mutantes até grandes moluscos vermelhos! Quando a máscara vai cair? A maioria do material publicado no Som Barato nem tinha distribuição! Muita coisa nem existia em cd! E as entrevistas, textos, biografias, críticas, comentários, informaçõs e opiniões lá postadas? Também são "ilegais"? Ponto de divulgação de festas e de shows de ótimos artistas muitas vezes nem citados na grande mídia. Isso também é proibido? O blog transformou-se numa referência para encontros de fãs de música e de colecionadores de vinis. TUDO FOI SUSPENSO! TUDO ISSO É CRIME? Centenas de artistas aplaudem e tem suas carreiras renascidas graças a trabalhos como esse. Outros músicos iniciantes (muitos de soberbo talento $EM E$PAÇO NA INDÚ$TRIA FONOGRÁFICA) passaram a ter uma via direta e honesta para mostrar seus trabalhos.
Então eu pergunto: Por que todos tem de pagar se uma Biscoito Fino da vida não quer "seus discos" lá? Ao povo brasileiro (e de todo o mundo) mais uma vez ficam os valores, muito além dos mensuráveis em dólar, nos cofres dos "proprietários da arte". Lembro-me de casos como a Discos Marcus Pereira com suas centenas de discos sob guarda da EMI. O maior projeto fonográfico brasileiro quase não conhecido de seu povo. Quem tem as chaves desses porões? Muitos desses discos estavam postados no Som Barato. Prá você leitor o que é mais importante? Vale lembrar que moramos num país sem memória cultural! De quem é a culpa? Antes de apontar o dedo ou (ainda pior) proibir, vetar e executar por conta própria, vamos discutir. TODOS NÓS! TODO O POVO BRASILEIRO. Nossa arte maior está apodrecendo nas gavetas de mercenários protegidos por leis caducas. Todos podem ganhar. Novas alternativas tornam-se imprescindíveis. Quem deve se submeter? Um tempo retrógrado que insiste em negar o presente defendendo interesses próprios (e de músicos que não querem largar o osso) ou o agora que pode sim trazer empregos, desenvolvimento econômico (não é essa a desculpa "deles" quando na verdade sonham em ser milionários?) e acima de tudo liberdade e acesso irrestrito a cultura? Este sim, um bem irrenunciável e indisponível de qualquer povo que valoriza e defenda sua identidade como patrimônio essencial de sua dignidade.
www.sombarato.org
Escrito por Marcello Orsi às 17h02
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Escrito por Marcello Orsi às 00h19
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Poesia Concreta. Será que é mesmo ?
14/11 para 15/11
A noite está boa Você quis ela só para você Tudo bem... Hoje eu vou sair só Não demora eu estou de volta.
Escrito por Marcello Orsi às 21h30
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INÚTIL INTIMIDAÇÃO
Dos Blog do Juca, do Roberto e do Paulinho
As práticas nazistas continuam em nossa sociedade.
Porque é sempre mais fácil calar quem escreve.
Ao amigo Paulinho a minha solidariedade.
E continue lúcido. Como sempre.
Por JUCA KFOURI
Dois investigadores da 78a. DP de São Paulo, invadiram ontem, por volta das 16h, o prédio onde mora Paulo Cezar de Andrade Prado, que faz o "Blog do Paulinho".
A Polícia Civil de São Paulo, como se sabe, está em greve, mas parece que a pior parte dela não aderiu.
Os dois ameaçaram o porteiro e o zelador do prédio e esmurarram a porta do apartamento de Paulinho, sob o pretexto de entregar uma intimação para que o blogueiro comparecesse à delegacia do Jardim Paulista para fazer "esclarecimentos".
Esclarecimentos sobre qual assunto a intimação não dizia como, também, não era assinada pelo delegado.
Precavido, Paulinho tratou de chamar a PM.
Assim que a sirene do carro da PM foi ouvida, os investigadores, que estavam acompanhados de mais um homem, saíram apressados do edifício.
Está claro que houve uma típica ação de intimidação, coisa de bandidos, de bicheiros, de gente que se sente incomodada com o que o blog publica e que em vez de recorrer aos instrumentos que a Justiça oferece prefere optar por práticas covardes.
http://blogdopaulinho.wordpress.com/
Fui vítima, no dia de ontem, de um ato de banditismo, praticado por Policiais Civis de São Paulo.
Quero agradecer pela solidariedade de amigos que me ajudaram.
Também à manifestação de leitores do blog.
E ao amigo Juca Kfouri , pela coragem de se posicionar sobre o assunto.
É muito bom saber que não estou só.
Escrito por Marcello Orsi às 15h11
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Respirando II
Capitalismo: não há almoço grátis, exceto quando os bancos quebram
Durante as últimas décadas, o mundo foi invadido por alguns dogmas que eram dioturnamente martelados por governantes, políticos, economistas, banqueiros, jornalistas e outros mais. Uns bradavam a diminuição do Estado, um Estado mínimo, quase inexistente. Seria este novo deus, o Mercado, o condutor da humanidade, que resolveria todos os problemas, naturalmente solucionando qualquer conflito. Suas vozes apregoavam para ele todas as virtudes, um novo deus que transformava medíocres economistas em gênios da humanidade. Qualquer medida de cunho social, auxílio a pobres, benefícios em saúde, ampliação de gasto público com educação, política de socorro a indústrias enfraquecidas, reajustes de pensões e aposentadorias eram imediatamente atacados como se fossem os sangradouros a drenar os cofres públicos. Tudo era contestado com a permanente idéia de se diminuir o Estado, afastando-o. Qualquer norma de controle da atividade do Mercado, ou de empresas que prestam serviços públicos, ou que defendem os consumidores, eram vistas como agressões aos santos direitos de liberdade defendidos pelo Mercado. Os falsários que por aí pululavam esfalfavam suas declaraçoes em pareceres dos grandes bancos, em relatórios de agências de rating, como a demonstrar que este mundo ainda não era um paraíso, embora estivesse bem perto. Quando a nova crise despontou, os portavozes da banca mentiram. Apregoavam um probleminha subprime nos EUA, ou um caso isolado lá ou acolá. A bem da verdade escamoteram, mentiram. Foi preciso o Governo inglês, sem pudor, sem medo, sem qualquer vergonha, jogando no lixo todos os princípios de defesa e autonomia do santo Mercado, descaradamente, dizer que o problema é mais embaixo, isto é, sem fundo, pois todos os bancos caíam pelas tabelas e unanimemente clamavam pelo dinheiro público. Estavam quebrados e precisavam de socorro do ex-inimigo Estado. E o Estado veio socorrê-los. Os ingleses foram decididos: rodem as impressoras, imprimam dinheiro e inundem os cofres dos bancos e não os deixem morrer. É assim mesmo, o Capitalismo é eficiente, gera riqueza, mas necessita do Estado por perto para socorrê-lo e controlá-lo quando este apronta das suas. Quanto menos regras, mais trabalho para o Estado, quanto melhores foram as normas de controle, menos constantes serão as crises, e menores os gastos por elas gerados. Imagino o carão que vivem hoje economistas, jornalistas e banqueiros que ficavam amaldiçoando o Estado e hoje têm de correr às casas da moeda para pegar notas quentes, recém impressas, para socorrer seus bancos e empresas. Com essa enxurada de emissões, desvaloriza-se a moeda já sem lastro, socializam-se os prejuízos e alimenta-se o processo inflacionário. Ainda bem que as editoras não correm o risco de serem processadas pela publicação de livros de economia em favor do novo deus que tudo faria e resolveria. O povo esquece e manda pro lixo.
www.blogdocitadini.blog.uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 18h51
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Respirando
Nação Zumbi - Respirando
Preste atenção em como anda o mundo Depois que tudo se vendeu Notícias de dias tão pertos e Até o que nem aconteceu
Alimentando todos os sonhos Com o nada que ninguém lhe deu Onde começa o infinito se Termina com quem já venceu?
O mundo respira por um triz Ainda bem Um pouco dos restos de ontem É o que se tem
Porque não querer sair do mesmo Ver o retrato todo em outra cor? Uma cor por vez pra ver direito é sempre Tudo com o mesmo som
Consertando assim que eu conheço E se mudar entenda o outro tom Até aonde a vista alcança ou Deixando o que se tem do bom
O mundo respira por um triz Ainda bem Um pouco dos restos de ontem É o que se tem
http://www.youtube.com/watch?v=F1p69LQMfLs&feature=related
Escrito por Marcello Orsi às 21h51
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FOLHA DE S. P. 09/10/2008
JUCA KFOURI
Nós, corintianos
A Série B, de Brasil, não está sendo suficientemente forte para botar à prova o time do Corinthians
| NÓS, CORINTIANOS , somos os tais que temos um time em vez de o time nos ter, na frase imortal do saudoso jornalista José Roberto de Aquino. Nós, corintianos, temos a mania de nos bastar, de ir ao estádio para nos curtir, às vezes mais mesmo até do que curtir o time. Porque nem sempre o time é daqueles de se curtir. Mas nós, não. Seja qual for o nosso estado de espírito, nada como um estádio repleto de nós. Temos uma incrível capacidade de lidar com a frustração, tanto que já jejuamos por 22 anos e, mesmo assim, em vez de emagrecer, engordamos. E como! Consolidamos nossa maioria em tempos de seca, tornamo-nos insuportavelmente ainda mais numerosos nos tempos de colheita e nos demos até ao luxo de provar que a Série B, de Brasil, pode ocupar o espaço antes dedicado à Série A, hoje de Argentina, mas, quando nela estávamos, então A de América, que é maior que o Brasil. Como voltará a ser, aliás, em 2009, para sossego da TV, atrás da audiência perdida. Só não podemos cair na armadilha da arrogância, coisa típica de quem come mortadela como se fosse caviar, característica dos emergentes, das minorias que, quando vêem doce, se lambuzam, da gente que se deslumbra com vitórias circunstanciais, que não têm a verdadeira dimensão do épico, do dramático, do visceral. Porque a par dos méritos inegáveis de Mano Menezes, da contribuição de zagueiros como William e Chicão, dos golaços de André Santos, da devoção de Herrera, os adversários são tão fracos que não só perdem para si mesmos e derrapam sempre que podem se aproximar como não serviram para avaliar o poderio do nosso time. André Santos, por exemplo, marca mal. Douglas e Morais, de belos toques, passes e lançamentos, precisam ser testados em momentos de decisão. E assim por diante. Nós, corintianos, alegre bando de loucos, não podemos nos iludir. Sejamos humildes, reconheçamos nossos erros recentes como quando nos igualamos aos demais e fechamos os olhos diante de uma vitória fugaz, a de 2005, na contramão das nossas origens, sempre de ônibus, jamais de carrão. Nós, corintianos, devemos manter os vínculos entre as arquibancadas e os gramados, sem permitir que aventureiros, venham de onde vierem, nos conduzam para armadilhas que são sinônimos de crise e de vergonha. Londres, lembremos, nos deu um nome e já é mais que suficiente. Lembremos, ainda, que estamos às portas de completar nosso primeiro centenário. Somos os primeiros entre os grandes no Estado de São Paulo a fazer cem anos, porque, entre os grandes, não adianta tentar usurpar a hegemonia, ofender a realidade, somos os primeiros. No Estado e nesta desvairada cidade, cujo maior defeito, como se sabe, é não se chamar Corinthians. Nós, corintianos, portanto, podemos e até devemos festejar a conquista que se aproxima inexoravelmente. Mas com os pés no chão e os olhos voltados para 2010, quando o mínimo que queremos, e podemos, é comemorar o bicampeonato mundial de clubes da Fifa.
Escrito por Marcello Orsi às 21h06
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"Ô Josué nunca vi tamanha desgraça..."
Os 100 anos de um grande brasileiro
A fome de gol
Por ROBERTO VIEIRA
No dia 5 de setembro de 1908 nascia em Pernambuco Josué de Castro.
Negro, filho de retirantes, Josué foi médico, antropólogo, político, professor e símbolo.
Antes de Josué de Castro, o Brasil só falava na fome de bola.
Mas Josué ousou falar em outra fome. Tão popular e corriqueira quando o futebol no Brasil.
A fome primordial.
Os setores mais nacionalistas ergueram suas vozes:
“Como um brasileiro pode envergonhar assim nossa pátria?”
Como se a fome e a miséria não fossem fonte maior de vergonha para terra tão rica.
E lá se foi Josué cutucando feridas, descobrindo verdades, expondo a sociedade brasileira em carne viva.
O seu clássico ‘A Geografia da Fome’ permanece intacto ao correr dos anos. Invicto. Onisciente.
Lançado em 1946 quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 1950, o livro é um testemunho científico sobre as mazelas que corroíam o gigante adormecido.
A fome que biografara Fausto e Jaguaré virava manchete de jornal.
Triste Brasil. Sem a fome talvez não fossemos pentacampeões de futebol. Com educação e comida na mesa, nossos jogadores talvez não corressem atrás de uma bola como quem corre atrás de um prato de feijão.
Como se fosse o último.
Presidente da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas no período de 1952 a 1956, o Dr. Josué de Castro foi cassado na alvorada do golpe militar de 1964.
Josué de Castro que faleceu distante da sua pátria. Exilado.
Culpado por não se deitar eternamente em berço esplêndido.
Culpado por falar de um fome que não era a fome de gol...
Copiado do Blog do Juca
www.blogdojuca.blog.uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 15h04
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"Fut Midia S/A"
Encontrei este documentário no blog do Juca Kfouri, no blog do Paulinho e até no blog do De Leve... Então vou postar aqui também.
Documentário de 2005, dirigido por Carlos Pereira Jr.
Vale a pena "perder" 40 minutos.
http://video.google.com/videoplay?docid=2471769443132225999
Escrito por Marcello Orsi às 04h17
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Xico Sá e o Campeão Sport.
XICO SÁ
Deus e o Bala na terra do sol
O Divino revelou ao herói do Sport o desfecho da Copa do Brasil na Ilha de Lost e pediu clemência da Fiel a Felipe
AMIGO TORCEDOR, amigo secador, Deus é fiel, mas, dessa vez, queixoso do mundo-cão, foi tirar uns dias de folga no Nordeste, onde, em um semáforo na praia do Pina, no Recife, revelou a Carlinhos Bala, como a um dos seus profetas do Velho Testamento, o que aconteceria na Ilha de Lost, também conhecida como do Retiro.
"Filho, a princípio achei que era o Chico César, criatura de Catolé do Rocha, mas reparo que és tu mesmo, menino Bala, como andas, preparado para a final com o grande Corinthians?", gracejou o Divino. "Senhor, agora vejo que estás mesmo onde menos a gente espera, como diz a Bíblia", bradou o mestiço do pequeno David com Macunaíma.
"Filho, prepare-se para viver dias de glória, mesmo com todo o meu respeito à fé cega dos admiráveis coríntios, bem-aventurados sejam os renegados do Sport que tanto penaram pelas Segundonas da vida, os alvinegros só começaram as suas peregrinações e são líderes absolutos."
"Senhor, vamos ganhar a Copa do Brasil, como na visão que tive no gol salvador na casa do São Paulo?" "Filho, como disse o bravo Juca Kfouri, tenho mais o que fazer nesse mundão sem porteiras, pero..." "Pero o quê, Senhor, até parece argentino com esse portunhol do Herrera, pelo amor dos meus filhinhos, precisamos do título para lavar a nossa honra, é unanimidade entre os cavaleiros das mesas-redondas que o Timão já pode colocar a faixa."
"Calma, na carta do secador São Paulo aos coríntios há outro rumo." "Senhor, o sinal vai abrir. Perdoe-me, mas tenho pressa, pois Nelsinho não tolera atrasos na Ilha de Lost." "Bem-aventurado seja o Baptista, que suportou, com resignação e sabedoria, todas as humilhações da queda para a Segundona..." "Mas, Senhor, vamos ganhar a Copa do Brasil? Perdoe minha objetividade burra!", apelou o boleiro, enquanto uma criança passava o rodinho no vidro do seu Audi prata. "Tem comido cuscuz com ovo?!", Deus tentou mudar o papo, citando um segredo da força do baixinho.
"Cuscuz com bode também, Senhor, mas sem cachaça", respondeu, mais relax, o herói do Sport.
"Muito bem, era a comida dos homens fortes do deserto, viva os caprinos, incluindo os cordeiros, sagradas criaturas, mas um vinhozinho está permitido, pois nem Deus agüenta a sobriedade absoluta." "Senhor, por que segura o sinal no vermelho tanto tempo? Creio que estamos conversando há horas."
"Assim será o jogo para os alvinegros, tudo trancado, não verão o caminho da rede após bem-sucedidas pescarias neste ano", disse o Divino.
"Embora tenha cerimônias de me meter nessas pelejas, os coríntios, quase sempre humildes, cometeram o pecado da soberba, pecado do meu apóstolo tricolor e ultimamente do Palmeiras do Luxa, sacas?" Além do sinal, belas nuvens negras da chuva e da fartura nordestina encobriam o caminho de Deus naquela hora, quando o menino Bala recebeu a iluminação do título e espalhou para a incrédula mídia. Ao longe, Deus cantou para o boleiro: "O bom menino Felipe, coitado, vai tomar um gol que pode parecer frango, mas, para quem sabe de futebol, será indefensável, espero que a amada fiel não o julgue, e que o caminho na Segundona seja leve!".
xico.folha@uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 17h35
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XICO SÁ
Biro-Biro, Lero-Lero
O apelido do ex-jogador ajuda no folclore ludopédico, mas o galego à força do Recife jogou muita bola!!!!
AMIGO TORCEDOR, amigo secador, uma marca de refrigerante vem aí com uma eleição das mais épicas de toda a história da humanidade: Biro-Biro ou Maradona, quem foi o melhor?É óbvio que o apelido do ex-jogador ajuda no folclore ludopédico, mas, cá entre nós e a torcida do Corinthians, o galego à força do Recife jogou muita bola! Nossa! Põe exclamação nisso, senhor tipógrafo, que sou das antigas!!!
A piada pode ser risível para um argentino, mas meu tio Alberto, corintiano do Parque São Rafael, na ZL, viu uma reportagem sobre o assunto e indagou, mão no queixo, mais reflexivo do que estátua do Rodin: "
Qualé a graça, Francisco?".
Meu camarada e também escriba Marivaldo Carvalho, visconde de Taipas (ZN) e arredores, o maior corintiano que já vi delirar de febre de bola, recusou-se até a falar sobre a pendenga. "Coloca aí: procurado ontem pela Folha para comentar uma tremenda asneira publicitária, não foi encontrado até o ponto crepuscular dessa crônica."
Sim, o mancebo é bilaquiano pacas e fã do sr. Antônio José da Silva Filho, o Biro-Biro, ou o Lero-Lero, como o apresentou Vicente Matheus na chegada ao Parque São Jorge no final dos 1970. Biro-Biro, pobres moços, era o cara. Comer grama para ele não era apenas uma pobre metáfora eqüina. Seus carrinhos eram geniais, sua marcação homem a homem era homem a homem mesmo, nunca acreditou nessa balela de marcar por zona, coisa de veado, como se dizia no seu tempo, digo, nosso.
Biro-Biro só daria certo em três times do mundo: Leão da Ilha do Retiro, Corinthians e Grêmio.
Ponho-me a pensar, e isso é raro, num duelo entre Maradona e Biro-Biro. Abstenho-me de palpites, mas, aqui de olhos bem cerrados, vejo um "Canal 100" imaginário: o baixinho mata no peito uma bola que qualquer um mataria na coxa, acha que está sendo marcado por um daqueles becões ingleses idiotas, eis que chega Biro-Biro, na catega, na classe, e rouba-lhe a gostosa, a boterinha, como um descuidista genial da Praça da República.
Sim, amigo, poderia também ser um carrinho, tanto faz, né, Reinaldo Moraes?, Biro-Biro ganharia a peleja com quaisquer armas.
E, se Maradona fez um de mão, Biro-Biro fez o mais lindo gol de canela desde que a humanidade começou a chutar cabeças nas batalhas: contra Gilmar, pensativo leitor, na semi do Paulista sete ponto nove, no Palmeiras, esse que agora está mais verde do que nunca.
Não, grande João Gabriel, chega de pegar no pé dos são-paulinos. Ainda mais com mal-assombros.
Jamais falarei daqueles dois golaços do nosso herói contra o tricolor na final de 1982.
Leia correndo
Alvíssaras, camaradas, mais um livro sobre futebol na área. "Donos da Bola" (Língua Geral). E por falar em Biro-Biro, o mais lindo dos capítulos se chama "Os apelidos jogam bola sozinho", repare: Drummond, Armando Nogueira, Lima Barreto, Chico Buarque, João Cabral (beque do América/Recife), Nelson Motta e Francisco Bosco, que fecha com um gol tipo Rondinelli, no Fla x Vasco de 78. xico.folha@uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 22h02
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Estou começando aqui no Blogspot e esta semana li dois textos muito interesantes.
O primeiro é do jornalista Flávio Gomes e o segundo é do Juca Kfouri jornalista que admiro desde quando comecei a gostar de futebol e quando descobri que gostaria de estudar jornalismo há alguns anos atrás.
Segue os dois abaixo:
JUCA KFOURI
Por que não desisto?
Um convite ao raro leitor para que se ponha no lugar do colunista e o ajude a achar uma boa resposta
PONHA-SE em meu lugar.
Imagine-se aos 20 anos de idade, na USP, sonhando em fazer carreira universitária.
Aí, surge um convite de uma grande editora para você ir ganhar bem num trabalho com um tema que você adora, o futebol, e que não impedirá a continuidade do curso na faculdade.
Você vai, é claro, e, quatro anos depois, fica diante da encruzilhada: ou seguir na pós-graduação em Política ou abraçar de vez o jornalismo, algo que jamais tinha passado por sua cabeça, apesar de o avô materno ter sido jornalista de destaque, o primeiro repórter a encontrar a Coluna Prestes.
Então você percebe que está inoculado pelo vírus do jornalismo e dá adeus à USP. A militância na imprensa logo revela que os bastidores de sua paixão são imundos, e você resolve que o leitor tem o direito de saber como as coisas funcionam, por mais que muita gente tente desestimulá-lo a seguir tal caminho, tenso, ameaçador, além de proporcionar inimigos no atacado e processos a granel.
Mas, talvez por herança paterna, o filho do promotor de Justiça não consegue arquivar sua indignação e vai à luta.
Faz até uma carreira bem-sucedida, dirige revistas importantes, trabalha para as TVs líderes no país e depois vira colunista do principal jornal nacional, além de blogueiro do maior portal de internet, âncora da emissora de rádio de mais prestígio e membro da única equipe de TV independente do Brasil.
E ganha muito mais do que imaginava que poderia ganhar como jornalista, essa profissão que ainda remunera mal e que é aviltada pelos que a utilizam para se vender como garotos-propaganda ou para os piores interesses de capitalistas sem escrúpulos, adeptos apenas do deus dinheiro.
Você, no entanto, se deu bem e, apesar de inúmeros erros, manteve seus princípios intactos, jamais se curvou aos poderosos para não mostrar o traseiro para os oprimidos (a frase é do Millôr).
Está, portanto, reclamando do quê?
Ponha-se no meu lugar, insisto.
Você é doido por futebol, torce pelo Corinthians (outra herança paterna) e o que vê, 38 anos depois de ter começado na profissão?
Um cidadão que você denuncia há quase 20 anos, que foi devidamente desnudado na imprensa e em duas CPIs, não só resiste no poder como, mais que isso, é hoje dos cinco homens mais importantes do país, bajulado por governadores, ministros e até pelo presidente da República, a ponto de outro dia, numa cerimônia num jornalão mineiro, ter sido mais paparicado que o vice-presidente do país, também presente.
Se não bastasse, o Rei se curva diante dele.
Já o seu time de coração se encontra na situação em que se encontra, não só na segunda divisão como nas páginas policiais, muito até pelo que você mesmo ajudou a revelar.
Não é para desistir de tudo, neste país em que somos traídos diariamente?
Parar de dar soco em ponta de faca?
Só que, se parar, o que dirão os amantes do futebol limpo ou gente como Bob Fernandes, Clóvis Rossi, Elio Gaspari, Janio de Freitas, Luis Fernando Verissimo, Sérgio de Souza e outros caros lutadores?
O jeito é continuar. Porque não tem outro jeito. E tem as netas...
Escrito por Marcello Orsi às 21h57
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Herói aposentado
Fidel Castro renunciou hoje à Presidência de Cuba e ao comando das Forças Armadas do país. A data, 19 de fevereiro de 2008, entrará para os livros de História como o dia da queda do Muro de Berlim e da dissolução da URSS. É a História sendo escrita diante de nossos olhos.
Mas esta noite, no Brasil, o assunto será o paredão do BBB.
Essa é uma das diferenças básicas entre as sociedades cubana e brasileira. Nós vemos Cuba sob o olhar de décadas de propaganda americana sobre a ilha. Analisamos o regime sob a ótica da frivolidade, fazendo gracejos sobre os carros velhos, a quantidade de canais de TV, a falta de celulares. E depois, num segundo momento, tentamos politizar a questão cubana com o argumento único de que "se fosse bom não proibiriam ninguém de sair" e coisas do tipo.
Tese superficial como um espinho.
Com nossa visão americanizada de mundo, não conseguimos compreender e nem aceitar uma sociedade em que a prioridade não é comprar carro bonito, ou o último Motorola, ou o apartamento na Riviera. Viver é ter. Qualquer coisa que não seja parecida com isso é não-viver.
Esse é o maior engano que se comete quando se fala de Cuba: não entender que existe gente no mundo que não liga para essas coisas. Cuba vive sob o mesmo regime há meio século. 90% de sua população de 11,2 milhões de habitantes (http://www.multied.com/nationbynation/Cuba/Population.html - dado de 2002) — menor que a da cidade de São Paulo — tem até 64 anos. Ou seja: praticamente todos nasceram depois que Fidel derrubou a putaria de Fulgêncio Batista.
Viver, para essa gente, é uma experiência muito diferente da nossa. Batalha-se pelo supérfluo, com a certeza de que o básico está garantido: educação, saúde, emprego (antes de seguir, leia este belo resumo - http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/cuba/cubasobfidel.jhtm - sobre Cuba, com dados muito relevantes; preste especial atenção no quadro que fala sobre a política dos EUA em relação ao país).
Em tudo que realmente importa, Cuba é melhor que a maior parte do planeta. Mortalidade infantil, analfabetismo, miséria, falta de moradia e desemprego não fazem parte da rotina do cubano. Que pode não ter uma vida de luxos e regalias, pode não ter TV de LCD ou um Corolla na garagem, mas olhe para o seu próprio umbigo: quem aqui tem?
Dispa-se de seus pequenos desejos de consumo e responda, com sinceridade: se você fosse sua empregada, morando nos confins da periferia, ganhando 500 reais por mês, com filhos na escola pública, assassinatos no boteco ao lado, camelando quatro horas por dia dentro de um ônibus, tendo de pegar fila no centro de saúde, não acharia um país como Cuba uma maravilha?
A imensa maioria dos brasileiros, imensa mesmo, vive muito pior que o pior dos cubanos. Você pode até viver melhor. Eu vivo. Mas a imensa maioria, imensa mesmo, vive muito pior.
Aqui temos democracia, TV a cabo, loja da Maserati, calças Diesel, celular 3G. Podemos ir a Miami sem correr o risco de morrer afogado numa balsa feita em casa. Mas quantos de nós, brasileiros, vivemos integralmente essa liberdade? Quantos de nós podemos passar diante de uma vitrine, desejar algo e comprar? Quantos de nós podem sonhar com algo muito diferente da balsa que embala os sonhos dos dissidentes?
Nossa liberdade é bem relativa. É condicionada ao que se tem. E, para quem não tem nada, muito mais cruel do que as restrições ao ir e vir a que os cubanos são submetidos. Eles, pelo menos, sabem as regras do jogo, e as regras lá são feitas para a maioria. Sua realidade é a da ilha, e é nela que vivem. Com ambições e pretensões bem diferentes daquelas que nos alimentam, nós aqui do lado bonito e feérico do mundo.
E, afinal, quem somos nós para hierarquizar ambições? Quem é você para achar que seu desejo de ter uma Hilux é mais defensável do que o desejo de um cubano de ter uma geladeira melhor? Quem é você para afirmar que o american way of life adotado e defendido pelo mundo ocidental — esse estilo de vida que permite e aceita a degradação do ser humano miserável, que estimula a competição e que fecha os olhos para a violência diária contra os que não deram a sorte de ter o que você tem — é mais humano que a simple life de um povo como o cubano?
Na verdade, quem somos nós para falar de Cuba? Quem somos nós para troçar de Fidel? Quem somos nós para caçoar dos prédios decrépitos de Havana? Que país nossos pais nos deixaram, e que país estamos deixando para nossos filhos? Podemos nos orgulhar de alguma coisa? Podemos nos orgulhar de ter construído, com nossos meios e nossas mãos, uma nação onde as pessoas têm as mesmas chances, onde todos têm direito a uma escola, a um médico, a um trabalho?
Cuba pode. Nós fracassamos, eles venceram. Por Flávio Gomes http://ultimosegundo.ig.com.br/esportes/opiniao/blig_do_gomes/index.html?act=lkpost&arquivohtml=2008_02&postanch=post_19071823&ext=true
Escrito por Marcello Orsi às 21h55
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