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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BOSQUE DA SAUDE, Homem, de 26 a 35 anos
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XICO SÁ
Biro-Biro, Lero-Lero
O apelido do ex-jogador ajuda no folclore ludopédico, mas o galego à força do Recife jogou muita bola!!!!
AMIGO TORCEDOR, amigo secador, uma marca de refrigerante vem aí com uma eleição das mais épicas de toda a história da humanidade: Biro-Biro ou Maradona, quem foi o melhor?É óbvio que o apelido do ex-jogador ajuda no folclore ludopédico, mas, cá entre nós e a torcida do Corinthians, o galego à força do Recife jogou muita bola! Nossa! Põe exclamação nisso, senhor tipógrafo, que sou das antigas!!!
A piada pode ser risível para um argentino, mas meu tio Alberto, corintiano do Parque São Rafael, na ZL, viu uma reportagem sobre o assunto e indagou, mão no queixo, mais reflexivo do que estátua do Rodin: "
Qualé a graça, Francisco?".
Meu camarada e também escriba Marivaldo Carvalho, visconde de Taipas (ZN) e arredores, o maior corintiano que já vi delirar de febre de bola, recusou-se até a falar sobre a pendenga. "Coloca aí: procurado ontem pela Folha para comentar uma tremenda asneira publicitária, não foi encontrado até o ponto crepuscular dessa crônica."
Sim, o mancebo é bilaquiano pacas e fã do sr. Antônio José da Silva Filho, o Biro-Biro, ou o Lero-Lero, como o apresentou Vicente Matheus na chegada ao Parque São Jorge no final dos 1970. Biro-Biro, pobres moços, era o cara. Comer grama para ele não era apenas uma pobre metáfora eqüina. Seus carrinhos eram geniais, sua marcação homem a homem era homem a homem mesmo, nunca acreditou nessa balela de marcar por zona, coisa de veado, como se dizia no seu tempo, digo, nosso.
Biro-Biro só daria certo em três times do mundo: Leão da Ilha do Retiro, Corinthians e Grêmio.
Ponho-me a pensar, e isso é raro, num duelo entre Maradona e Biro-Biro. Abstenho-me de palpites, mas, aqui de olhos bem cerrados, vejo um "Canal 100" imaginário: o baixinho mata no peito uma bola que qualquer um mataria na coxa, acha que está sendo marcado por um daqueles becões ingleses idiotas, eis que chega Biro-Biro, na catega, na classe, e rouba-lhe a gostosa, a boterinha, como um descuidista genial da Praça da República.
Sim, amigo, poderia também ser um carrinho, tanto faz, né, Reinaldo Moraes?, Biro-Biro ganharia a peleja com quaisquer armas.
E, se Maradona fez um de mão, Biro-Biro fez o mais lindo gol de canela desde que a humanidade começou a chutar cabeças nas batalhas: contra Gilmar, pensativo leitor, na semi do Paulista sete ponto nove, no Palmeiras, esse que agora está mais verde do que nunca.
Não, grande João Gabriel, chega de pegar no pé dos são-paulinos. Ainda mais com mal-assombros.
Jamais falarei daqueles dois golaços do nosso herói contra o tricolor na final de 1982.
Leia correndo
Alvíssaras, camaradas, mais um livro sobre futebol na área. "Donos da Bola" (Língua Geral). E por falar em Biro-Biro, o mais lindo dos capítulos se chama "Os apelidos jogam bola sozinho", repare: Drummond, Armando Nogueira, Lima Barreto, Chico Buarque, João Cabral (beque do América/Recife), Nelson Motta e Francisco Bosco, que fecha com um gol tipo Rondinelli, no Fla x Vasco de 78. xico.folha@uol.com.br
Escrito por Marcello Orsi às 22h02
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Estou começando aqui no Blogspot e esta semana li dois textos muito interesantes.
O primeiro é do jornalista Flávio Gomes e o segundo é do Juca Kfouri jornalista que admiro desde quando comecei a gostar de futebol e quando descobri que gostaria de estudar jornalismo há alguns anos atrás.
Segue os dois abaixo:
JUCA KFOURI
Por que não desisto?
Um convite ao raro leitor para que se ponha no lugar do colunista e o ajude a achar uma boa resposta
PONHA-SE em meu lugar.
Imagine-se aos 20 anos de idade, na USP, sonhando em fazer carreira universitária.
Aí, surge um convite de uma grande editora para você ir ganhar bem num trabalho com um tema que você adora, o futebol, e que não impedirá a continuidade do curso na faculdade.
Você vai, é claro, e, quatro anos depois, fica diante da encruzilhada: ou seguir na pós-graduação em Política ou abraçar de vez o jornalismo, algo que jamais tinha passado por sua cabeça, apesar de o avô materno ter sido jornalista de destaque, o primeiro repórter a encontrar a Coluna Prestes.
Então você percebe que está inoculado pelo vírus do jornalismo e dá adeus à USP. A militância na imprensa logo revela que os bastidores de sua paixão são imundos, e você resolve que o leitor tem o direito de saber como as coisas funcionam, por mais que muita gente tente desestimulá-lo a seguir tal caminho, tenso, ameaçador, além de proporcionar inimigos no atacado e processos a granel.
Mas, talvez por herança paterna, o filho do promotor de Justiça não consegue arquivar sua indignação e vai à luta.
Faz até uma carreira bem-sucedida, dirige revistas importantes, trabalha para as TVs líderes no país e depois vira colunista do principal jornal nacional, além de blogueiro do maior portal de internet, âncora da emissora de rádio de mais prestígio e membro da única equipe de TV independente do Brasil.
E ganha muito mais do que imaginava que poderia ganhar como jornalista, essa profissão que ainda remunera mal e que é aviltada pelos que a utilizam para se vender como garotos-propaganda ou para os piores interesses de capitalistas sem escrúpulos, adeptos apenas do deus dinheiro.
Você, no entanto, se deu bem e, apesar de inúmeros erros, manteve seus princípios intactos, jamais se curvou aos poderosos para não mostrar o traseiro para os oprimidos (a frase é do Millôr).
Está, portanto, reclamando do quê?
Ponha-se no meu lugar, insisto.
Você é doido por futebol, torce pelo Corinthians (outra herança paterna) e o que vê, 38 anos depois de ter começado na profissão?
Um cidadão que você denuncia há quase 20 anos, que foi devidamente desnudado na imprensa e em duas CPIs, não só resiste no poder como, mais que isso, é hoje dos cinco homens mais importantes do país, bajulado por governadores, ministros e até pelo presidente da República, a ponto de outro dia, numa cerimônia num jornalão mineiro, ter sido mais paparicado que o vice-presidente do país, também presente.
Se não bastasse, o Rei se curva diante dele.
Já o seu time de coração se encontra na situação em que se encontra, não só na segunda divisão como nas páginas policiais, muito até pelo que você mesmo ajudou a revelar.
Não é para desistir de tudo, neste país em que somos traídos diariamente?
Parar de dar soco em ponta de faca?
Só que, se parar, o que dirão os amantes do futebol limpo ou gente como Bob Fernandes, Clóvis Rossi, Elio Gaspari, Janio de Freitas, Luis Fernando Verissimo, Sérgio de Souza e outros caros lutadores?
O jeito é continuar. Porque não tem outro jeito. E tem as netas...
Escrito por Marcello Orsi às 21h57
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Herói aposentado
Fidel Castro renunciou hoje à Presidência de Cuba e ao comando das Forças Armadas do país. A data, 19 de fevereiro de 2008, entrará para os livros de História como o dia da queda do Muro de Berlim e da dissolução da URSS. É a História sendo escrita diante de nossos olhos.
Mas esta noite, no Brasil, o assunto será o paredão do BBB.
Essa é uma das diferenças básicas entre as sociedades cubana e brasileira. Nós vemos Cuba sob o olhar de décadas de propaganda americana sobre a ilha. Analisamos o regime sob a ótica da frivolidade, fazendo gracejos sobre os carros velhos, a quantidade de canais de TV, a falta de celulares. E depois, num segundo momento, tentamos politizar a questão cubana com o argumento único de que "se fosse bom não proibiriam ninguém de sair" e coisas do tipo.
Tese superficial como um espinho.
Com nossa visão americanizada de mundo, não conseguimos compreender e nem aceitar uma sociedade em que a prioridade não é comprar carro bonito, ou o último Motorola, ou o apartamento na Riviera. Viver é ter. Qualquer coisa que não seja parecida com isso é não-viver.
Esse é o maior engano que se comete quando se fala de Cuba: não entender que existe gente no mundo que não liga para essas coisas. Cuba vive sob o mesmo regime há meio século. 90% de sua população de 11,2 milhões de habitantes (http://www.multied.com/nationbynation/Cuba/Population.html - dado de 2002) — menor que a da cidade de São Paulo — tem até 64 anos. Ou seja: praticamente todos nasceram depois que Fidel derrubou a putaria de Fulgêncio Batista.
Viver, para essa gente, é uma experiência muito diferente da nossa. Batalha-se pelo supérfluo, com a certeza de que o básico está garantido: educação, saúde, emprego (antes de seguir, leia este belo resumo - http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/cuba/cubasobfidel.jhtm - sobre Cuba, com dados muito relevantes; preste especial atenção no quadro que fala sobre a política dos EUA em relação ao país).
Em tudo que realmente importa, Cuba é melhor que a maior parte do planeta. Mortalidade infantil, analfabetismo, miséria, falta de moradia e desemprego não fazem parte da rotina do cubano. Que pode não ter uma vida de luxos e regalias, pode não ter TV de LCD ou um Corolla na garagem, mas olhe para o seu próprio umbigo: quem aqui tem?
Dispa-se de seus pequenos desejos de consumo e responda, com sinceridade: se você fosse sua empregada, morando nos confins da periferia, ganhando 500 reais por mês, com filhos na escola pública, assassinatos no boteco ao lado, camelando quatro horas por dia dentro de um ônibus, tendo de pegar fila no centro de saúde, não acharia um país como Cuba uma maravilha?
A imensa maioria dos brasileiros, imensa mesmo, vive muito pior que o pior dos cubanos. Você pode até viver melhor. Eu vivo. Mas a imensa maioria, imensa mesmo, vive muito pior.
Aqui temos democracia, TV a cabo, loja da Maserati, calças Diesel, celular 3G. Podemos ir a Miami sem correr o risco de morrer afogado numa balsa feita em casa. Mas quantos de nós, brasileiros, vivemos integralmente essa liberdade? Quantos de nós podemos passar diante de uma vitrine, desejar algo e comprar? Quantos de nós podem sonhar com algo muito diferente da balsa que embala os sonhos dos dissidentes?
Nossa liberdade é bem relativa. É condicionada ao que se tem. E, para quem não tem nada, muito mais cruel do que as restrições ao ir e vir a que os cubanos são submetidos. Eles, pelo menos, sabem as regras do jogo, e as regras lá são feitas para a maioria. Sua realidade é a da ilha, e é nela que vivem. Com ambições e pretensões bem diferentes daquelas que nos alimentam, nós aqui do lado bonito e feérico do mundo.
E, afinal, quem somos nós para hierarquizar ambições? Quem é você para achar que seu desejo de ter uma Hilux é mais defensável do que o desejo de um cubano de ter uma geladeira melhor? Quem é você para afirmar que o american way of life adotado e defendido pelo mundo ocidental — esse estilo de vida que permite e aceita a degradação do ser humano miserável, que estimula a competição e que fecha os olhos para a violência diária contra os que não deram a sorte de ter o que você tem — é mais humano que a simple life de um povo como o cubano?
Na verdade, quem somos nós para falar de Cuba? Quem somos nós para troçar de Fidel? Quem somos nós para caçoar dos prédios decrépitos de Havana? Que país nossos pais nos deixaram, e que país estamos deixando para nossos filhos? Podemos nos orgulhar de alguma coisa? Podemos nos orgulhar de ter construído, com nossos meios e nossas mãos, uma nação onde as pessoas têm as mesmas chances, onde todos têm direito a uma escola, a um médico, a um trabalho?
Cuba pode. Nós fracassamos, eles venceram. Por Flávio Gomes http://ultimosegundo.ig.com.br/esportes/opiniao/blig_do_gomes/index.html?act=lkpost&arquivohtml=2008_02&postanch=post_19071823&ext=true
Escrito por Marcello Orsi às 21h55
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